Publicidade
Publicidade
Publicidade

Diretor: Paulo Melo Domingo
19 de Novembro de 2017
Publicidade mercado das ervas

“Ponta Delgada, uma Cidade adiada”


Francisco César
Visualizações 5112

Lisboa, Porto, Braga, Funchal ou até Guimarães foram cidades que arrancaram o ano de 2017 com roteiros de passagem de ano fortes, marcantes, interessantes, que levaram milhares de residentes e turistas às ruas e aos hotéis. Se dúvidas houvesse sobre o sucesso destes eventos apoiados pelas Câmaras Municipais, bastava no dia 1 de janeiro à tarde, – enquanto recuperava no seu sofá, da noite da passagem de ano – ver nos serviços noticiosos as descrições sobre a qualidade destas festas.

Em Ponta Delgada houve festa, de facto, mas foi um evento como todo o mandato do atual presidente do município: sem “sal”, sem inovação, sem imaginação, sem ambição, sem entusiasmo, apenas mais uma passagem de ano, semelhante a muitas outras que passaram, que o resultado para a nossa memória futura, será uma confusão entre a festa da semana passada e a festa do ano anterior.

Foi feito tudo em cima do joelho, como se fosse preciso arranjar qualquer coisa para cumprir calendário, divulgado e promovido tardiamente, – apenas em outubro imagine-se! – deixando passar a Bolsa de Turismo de Lisboa para anunciar o evento, confiando no advento das low-cost´s e na “nova” SATA para encher os hotéis… (Foi o que nos valeu!)

Assim anda a gestão do município de Ponta Delgada e, sobretudo, do seu presidente, silenciosa nos resultados, – talvez porque não existam – estridente na agenda do dia-a-dia. É certo que há muitas ações solidárias, muitas audiências a entidades e muitas presenças institucionais, que permitem ao presidente do município fazer longas saudações “elaboradas” e “pomposas” a quem o convidou, – estas saudações são maioritariamente justas e até necessárias, mas não é isso que está em causa – mas o que pretendo de quem gere o meu município é que não se resuma apenas a ser um homem educado, sério e bem-falante.

Basta visitar o site da câmara municipal – pode ter um prémio, mas parece desenhado com linguagem do “tempo dos dinossauros” pois não abre no Chrome – de Ponta Delgada para perceber a falta de ambição a que me refiro. É de facto acessível e cheio de notícias, apesar de um pouco confuso, mas não tem conteúdos que a meu ver interessem, – tal como a gestão camarária – não há nada promovido pelo município de fomento ao emprego, à iniciativa empresarial, à criatividade, à inovação, à fixação de jovens no centro da cidade, às industrias criativas, ao turismo ou até à coesão territorial com as freguesias mais afastadas do meio urbano.

Palavras como “startup´s”, “fab lab” ou “incubação de empresas” não existem no léxico do município, que abdicou desta sua função de motor da cidade para o Governo dos Açores. É triste verificar que não conseguimos perceber dos discursos do Presidente e vereadores qual o caminho que querem que a cidade siga. Falem com comércio tradicional, falem com aqueles que esperam desesperadamente que a câmara lhes dê uma licença para obras particulares ou falem mesmo com quem vive na cidade, se sentem que a câmara está à altura da dinâmica do novo turismo Açoriano.

O anunciado Plano Estratégico de Desenvolvimento de Ponta Delgada 2014-2020 foi metido num saco e esquecido – provavelmente utilizado como prenda de Natal na falta de melhor – mas garantidamente não há uma linha que tenha sido efetivamente concretizada deste.

No meio de toda esta ausência de mandato – numa cidade que tem um aeroporto, uma universidade, o maior número de empresas e hotéis e a maior população dos Açores – a gestão do município pesa nos ombros do seu simpático presidente, que parece perdido e sem norte para a maior cidade dos Açores.

Que venham as autárquicas rapidamente para que possa ajudar a eleger alguém que volte a dar dinamismo e ambição a Ponta Delgada. •


Publicidade Escritório Digital – interior noticia


Meteorologia

Tempo Ponta Delgada