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Diretor: Paulo Melo Quarta-feira
18 de Outubro de 2017
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“Há a carga e há muito de nós”


Sónia Nicolau
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Os benefícios do turismo em todo o arquipélago são facilmente perceptíveis. Mais emprego – que exige-se que seja com dignidade, mas, para tal, na segunda década do século XXI, impôs-se à Inspecção Regional do Trabalho obrigar empresas a pagarem 2,2M€ aos trabalhadores por irregularidades nos salários – e maior notoriedade de um destino de qualidade – o que deveria tornar dispensável à Inspecção Regional do Turismo dos Açores detectar cerca de mil camas não registadas, 270 alojamentos locais não licenciados.

Há carga e há muito de nós. Há muito da nossa cultura do “desenrascar” e do “contornar”.

Nos Açores, particularmente em São Miguel, já é evidente a pegada ecológica da pressão turística. A solução gira em volta de: manter (aumentar) a população flutuante, sem desvirtuar o património dos Açores?

Goste-se ou não, os Açores não voltarão à calma de outros tempos.

Muito antes de março de 2015, foram criados parques naturais em todas as ilhas e reservas naturais. Não foi necessária a pressão turística para a preocupação com o património natural.

Esta já existia. Agora confronta-se com novos desafios perante uma pressão de carga humana superior.

Há carga e há muito de nós. Uma das reservas naturais, o Ilhéu da Vila Franca do Campo, há muito que se afirma como um excelente exemplo de garantia do equilíbrio entre a pressão turística, o acesso do residente, a tradição e a sua preservação.

Da inovação da aquisição de bilhetes on-line e disponibilidades, aliada à tradição no transporte em barco de pesca. À gestão desta reserva fica a faltar a existência de um espaço para acomodar as pessoas enquanto aguardam a sua vez, dignificando o acesso à reserva natural e até criando um serviço de conhecimento científico sobre a mesma. O Prof. Dr. Vítor Hugo Forjaz explica bem como o fazer.

Por outro lado, existem espaços como a Caldeira Velha e a Poça da Dona Beija que deveriam alterar o seu modelo de gestão, face à pressão turística. Viajando à Gruta das Torres já se assiste à preocupação da carga sobre o espaço.

Por esta diferença de lidar com a pressão turística, em abril deste ano o Governo dos Açores anunciou que estavam a recolher dados para definir limites de cargas nos Parques Naturais e este mês foi anunciado que o Turismo, Ambiente e Obras Públicas “estão a analisar formas de equilíbrio entre a pressão turística e a preservação da Lagoa do Fogo, Sete Cidades e Furnas.” São boas notícias para a continuação de preservação dos nossos cartões de visita.

Há carga e há muito de nós. Somos parte deste património natural e se o turista não tiver a oportunidade de visitá-lo, pode sempre voltar aos Açores à semelhança do que acontece noutros destinos de cartazes singulares.

Preservação e pressão rimam e em comum têm a primeira letra. Pelo futuro dos Açores estas não rimam e a pressão humana nunca poderá ser superior à preservação do património natural, sob pena de tornar os Açores num lugar comum.


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