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Diretor: Paulo Melo Quarta-feira
18 de Outubro de 2017
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Da memória que se projeta no futuro


Anibal Pires
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Hoje (dia 13 de Junho) passam 12 anos sobre a morte de Álvaro Cunhal. É de uma recordação que se trata, é verdade, mas mais do que para recordar trago esta data à nossa memória presente para projetar no futuro uma importante lição de vida e, mais ainda, uma verdade fundamental da condição humana, que me atrevo a formular desta forma, Somos homens porque sonhamos. Somos homens livres porque lutamos para realizar os nossos sonhos.

É este o ensinamento que retiro da vida e obra de Álvaro Cunhal e que reencontro em tantos rostos, em tantas vidas no Partido que era o seu Partido, neste Partido que é o meu Partido, neste Partido que é o Partido de muitos de nós.

 Um Partido onde acima de tudo sonhamos. Somos sonhadores desmedidos que sonham um mundo sem exploradores nem explorados. Um mundo onde a liberdade de sonhar e de trabalhar para realizar os próprios sonhos seja a regra para todos os seres humanos. Um mundo mais equilibrado, mais justo, um mundo mais feliz.

Este é o sonho que os comunistas de hoje partilham com incontáveis gerações que vieram antes de nós. Este é o sonho que partilhamos com milhões de homens e mulheres de todo o mundo e a raiz da fraternidade que nos une, fraternidade que dizemos de maneira tão bonita no calor humano da palavra “camarada”. Este é o sonho que partilhamos com Álvaro Cunhal, camarada de sonho e de luta para o realizar.

Aprendemos com Álvaro Cunhal a ser sonhadores militantes, pois sabemos, aprendemos, que quando a dureza da vida nos rouba a capacidade de sonhar, de ver um futuro diferente do presente que nos impõem, perdemos algo essencial. Um homem sem sonhos, um homem sem nada porque lutar, nunca será um homem livre.

É por isso que os que querem manter a humanidade escravizada, amarrada à atafona de gerar lucros para outros, não gostam de homens que sonham e gostariam de ter um mundo sem sonhos, no fundo um mundo de cegos. Cegos que aceitassem passivamente e para sempre o seu domínio. Fosse em nome da União Nacional, dos tempos idos, seja em nome da troika, num áspero passado próximo, seja, no presente, em nome do Eurogrupo e do capitalismo apátrida e do desastre. São esses que pretendem roubar aos portugueses e aos povos da Europa e do Mundo a capacidade de sonhar uma vida, um país, um Mundo, diferente.

A esses, aos que querem perpetuar o seu poder sobre uma massa de explorados dóceis, direi e dizemos, como o Álvaro sempre disse, “Não! Aqui sonhamos! E lutamos e lutaremos para tornar os nossos sonhos realidade!”

Este sonho partilhado com Álvaro Cunhal é importante, mas é sobretudo um sonho útil. É, afinal, a condição dos nossos esforços e trabalhos. É por causa desse sonho que não nos deixamos ficar em casa, no ativismo do sofá e das redes sociais, descansados e vamos para a rua, ao lado das populações e dos trabalhadores, juntar-nos aos que sonham como nós, para unidos lutar, agir, transformar o Mundo e a vida.

Com Álvaro Cunhal aprendi, aprendemos muito, aprendemos que uma das mais importantes tarefas tem de ser a de ajuntar as vontades dos homens, tal como Baltazar Sete-Sois e Blimunda Sete-Luas, no romance de Saramago.


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