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Diretor: Paulo Melo Domingo
24 de Setembro de 2017
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Caminho para a liberdade


Carlos Ávila
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Programa de reinserção social da Povoação
Há anos, 2009/2010, um pequeno grupo de PESSOAS toxicodependentes, uns mais velhos outros mais jovens, abordou-me a pedir trabalho. Eles queriam trabalho cientes que estavam da sua estigmatização social. Naquele tempo eram muitos os que deambulavam pelo jardim público, situado no centro da Vila da Povoação, durante todo o dia, ocupando de tal forma o espaço que bem poucas eram as pessoas que se sentavam nos bancos daquele aprazível jardim, sobretudo com receio dos rumores das conotações sociais, ainda mais insistentes numa terra da nossa dimensão.
Acabado de entrar na presidência da Câmara e com tanto desemprego crescente, não me era fácil tomar uma decisão. Mas algo tinha de ser feito: por eles que haviam dado o primeiro passo para a sua reintegração social, quando decidiram pedir-me trabalho, mas também por nós todos que éramos diariamente perturbados com as suas atitudes, a modo de quem nada tem a perder porque já haviam perdido quase tudo: a dignidade pessoal, o reconhecimento social, o apoio familiar, a confiança nas suas próprias capacidades, a esperança dum melhor futuro.
A situação era deveras degradante.
Então decidi dar-lhes trabalho. Há muito que estava ciente que os tratamentos clínicos não são suficientes e devem ser complementados com programas de trabalho/emprego.
E foi o que de melhor fiz na minha vida.
Depois do primeiro vieram outros. todos quantos quiseram e todos aqueles que também mandava buscar e com quem mantinha conversas de motivação.
Eles começaram então a trabalhar de acordo com as suas aptidões e experiências profissionais. Apesar de não ter sido fácil, sobretudo para estas pessoas, pois tiveram de adquirir melhores hábitos, a verdade é que aos poucos eles foram-se transformando em NOVAS PESSOAS, muito mais felizes. E o jardim público foi devolvido ao convívio social. E a taxa de delinquência diminuiu. E muitos foram encaminhados para tratamentos. E a tranquilidade social voltou. E o reconhecimento social aumentou. E a integração social foi crescendo.
E mais que podia dizer para valorizar estas Pessoas, toxicodependentes que um dia tiveram a desdita de cair nesta desgraça, como eles próprios reconhecem.
Não posso referir, por razões de espaço, o apoio governamental e da Santa Casa da Povoação e o desapoio de outras instituições, bem como a relação com os colegas de trabalho, a metodologia e as técnicas da intervenção social aplicadas, o trabalho dos técnicos do programa. Hoje só quero relevar que as PESSOAS toxicodependentes merecem uma oportunidade de reinserção social, para bem de nós todos.
Hoje eles trabalham, eles fazem teatro, eles criam movimentos de solidariedade, eles são cidadãos.
Considero-os meus amigos e reconheço o enorme esforço que desenvolvem para não caírem de novo naquela desgraça. Mas se eles, por qualquer razão, caírem, sabem que de novo estaremos aqui por eles, para os reencaminhar nos caminhos da verdadeira liberdade.
Feliz Natal para todos!


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