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Diretor: Paulo Melo Domingo
19 de Novembro de 2017
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Açorianidade em Lisboa De Afonso Chaves a Daniel de Sá


Gualter Furtado
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Dia 20 de Janeiro de 2017 rumo a Lisboa num daqueles voos baratos para participar numa homenagem ao meu amigo Daniel de Sá (1944-2013) na casa dos Açores.
Mas, antes de ir para a Casa dos Açores, fui ao Hospital dos Bancários nos Olivais para fazer uma ressonância magnética a um cotovelo porque em Ponta Delgada não consegui concretizar este exame devido a não caber na máquina de uma Clínica Privada de Ponta Delgada e na única outra alternativa possível que é o Hospital de Ponta Delgada embora coubesse na dita cuja máquina, não existisse nem técnico nem médico em tempo útil para acompanhar este ato clínico, nem se sabe quando existirá. O certo é que o exame está feito. Venha agora o resultado.
À noite, e conforme o previsto, participei com muito gosto com uma intervenção na sessão de homenagem ao Daniel de Sá e a convite do dinâmico Dr. Roberto Rodrigues que é o Presidente da Associação Daniel de Sá. Fomos muito bem recebidos nas excelentes e bem cuidadas instalações da Casa dos Açores de Lisboa pelo Presidente da Direção o Dr. Miguel Loureiro. Participaram como oradores nesta sessão de homenagem ao Daniel o Eduardo Paz Ferreira, o Lopes de Araújo, eu próprio, o Mário Mesquita, o Padre António Rego e ainda um amigo de infância do Daniel da Ilha de Santa Maria, o José Vieira Martins, que se deslocou dos Estados Unidos da América propositadamente para participar neste evento. Esta sessão contou ainda com outras intervenções designadamente das filhas do Daniel de Sá a Carolina e a Sara e de membros da Direção da Associação Daniel de Sá, o Roberto Rodrigues e o Carlos Bicudo, que explicaram qual a Missão e Objetivos desta Associação e apresentaram as muitas realizações que a Associação já executou. De referir que esta homenagem também teve um momento musical com flauta e temas açorianos interpretados por Gil Alves. Os muitos Açorianos e amigos dos Açores que nesta noite de açorianidade e cultura encheram a Casa dos Açores certamente que ficaram mais ricos com esta homenagem a um escritor açoriano da Maia e cuja obra é fundamental para se compreender os Açores e o Portugal do Século XX e princípios do Século XXI.
Esta ida à Casa dos Açores, no que me diz respeito, foi também uma romagem de saudade a um local onde passei algum tempo da minha juventude e participei em várias iniciativas de cultura e combates políticos, num tempo em que acreditava que era possível mudar o mundo.
No dia seguinte, fomos visitar o Museu de Arte Contemporânea no Chiado para desfrutar de alguns exemplares da pintura de Amadeu Souza Cardoso (1887-1918) e principalmente para rever, num dos anexos do Museu, a magnífica coleção de fotografias do Coronel Afonso Chaves (1857-1926). Afonso Chaves nasceu em Lisboa e foi viver para os Açores com apenas 3 anos de idade, onde moldou o seu caráter e iniciou um percurso de vida e de contributo para a ciência, verdadeiramente impressionante. Afonso Chaves foi um naturalista, um geofísico, um meteorologista, entre outras especialidades, que deixou obra feita e enriqueceu a cultura e a ciência açoriana. Mas, tal como é sublinhado nesta exposição, o Afonso Chaves também foi um “Açoreano no Centro do Mundo”. Foi com muita emoção que pude ver o meu Vale das Furnas abundantemente retratado e documentado nesta exposição. A título de exemplo refiro a foto tirada nas caldeiras das Furnas com a família Cogumbreiro junto à fonte da água azeda em 1910. Como é sabido o Vale das Furnas pelas suas fumarolas e variadas nascentes de água sempre despertaram o interesse de vários estudiosos e cientistas.
Acresce que na entrada desta exposição está também presente outro açoriano que foi Ernesto do Canto Faria e Maia (1890-1981) com uma esplêndida obra que são as estátuas de “Adão e Eva”.
O Museu Carlos Machado, a quem pertence a maioria deste espólio, está de parabéns por ter firmado esta parceria com o Museu Nacional de Arte Contemporânea, possibilitando que milhares de pessoas possam conhecer os nossos Açores pelo trabalho realizado por alguns dos nossos maiores nomes da cultura e da ciência, o que nos deve orgulhar como açorianos.
Finalmente, uma nota para referir que parte das instalações do Museu Nacional de Arte Contemporânea, na rua do Capelo, foi, no Estado Novo e mesmo depois do 25 de Abril, ocupada pelo Governo Civil e seus calabouços, tendo eu passado por lá na minha juventude na qualidade de preso político, e já lá vão mais de 40 anos. A atual função destas instalações do Convento de São Francisco é bem mais adequada e é a confirmação de que a cultura acaba sempre por vencer.


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