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Diretor: Paulo Melo Domingo
19 de Novembro de 2017
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140 carateres


Anibal Pires
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A informação regional tem sido, ela própria, comentada e objeto de alguns escritos de opinião o que pode indiciar a necessidade de refletir sobre o seu atual estado.

As dificuldades empresariais são conhecidas, apesar dos apoios públicos, faltam os assinantes e a publicidade que garante receita. A concorrência das plataformas eletrónicas que suportam as redes sociais, é um facto indesmentível. A notícia produzida em direto pelos cidadãos que possuem um smartphone é, também, concorrencial.

A escassez de recursos humanos nas redações e a precariedade das relações laborais no setor, condicionam a produção de conteúdos e a qualidade da informação.

O Gabinete de Apoio à Comunicação Social, sob a égide e controle do Governo Regional, constitui uma outra dimensão do problema que afeta a comunicação social na Região.

A comunicação social enfrenta um conjunto de dificuldades que pode levar, a prazo, ao encerramento de alguns dos títulos da imprensa regional e, num cenário mais catastrófico ao encerramento de algumas das rádios locais. Cenário que não é desejável, mas que se nada for alterado não está, de todo, afastado da realidade.

Mas se da crise que se abateu sobre a Região e o País resultam algumas das dificuldades que pendem sobre os órgãos de comunicação social privados, não serão estas as principais dificuldades que o setor enfrenta.

Um crescente número de cidadãos, quiçá os mais informados, não se revê no imediatismo da informação que é difundida pela clássica comunicação social, informação que leva à proliferação das fake news e, muito menos, na informação produzida com base nas notas de imprensa que chegam às redações provenientes dos gabinetes de imprensa das instituições, organizações e empresas.

Ir ao sabor da corrente e seguir modelos que não se adequam ao que se espera da informação, seja escrita ou audiovisual, só pode ter efeitos nefastos. Efeitos talvez mais destrutivos que os da anemia económica que resultou da crise e que, sem dúvida, afetou profundamente as empresas privadas de comunicação social.

Nem o diagnóstico se confina ao que já disse atrás, nem tenho a pretensão de ser detentor de soluções ou verdades absolutas, contudo, tenho opinião sobre o assunto e preocupo-me, pois não gostaria de assistir ao fim de mais títulos da imprensa regional. Todos ficamos mais pobres quando encerra um jornal ou deixa de ser emitido o sinal de uma rádio local.

A comunicação social precisa reganhar a credibilidade e ao mesmo tempo coexistir, sem competir, com a plataforma dos 140 carateres. Mas também não pode ter como principal fonte de informação o Twitter, deixemos isso para Donald Trump, ou o Facebook, fontes de informação quantas vezes oriunda em perfis falsos e cujos objetivos são diversos, mas quase sempre perversos.

A comunicação social impressa, radiofónica e televisiva tem de encontrar o seu espaço próprio e um novo paradigma que seja distintivo do imediatismo abreviado das redes sociais.


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