Diretor: Paulo Melo Sexta-feira
25 de Abril de 2014
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Protestos e greves “não são solução para o país” diz António Saraiva

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) defendeu hoje que não é com manifestações ou greves que se resolvem os problemas do país e que as soluções pelo diálogo, em sede de Concertação Social, ainda não estão esgotadas.

António Saraiva presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) Foto: Direitos Reservados | Texto: Lusa/Açores 9
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Em declarações à agência Lusa, por ocasião da manifestação da Confederação-geral de Trabalhadores Portugueses (CGTP-In), António Saraiva salvaguardou que o direito à manifestação ou à greve é um direito consagrado na Constituição, mas questionou se estas serão as soluções para os problemas que Portugal atualmente atravessa.

“Temos de olhar o país e a situação a que lamentavelmente chegámos e encontrar formas novas, diferentes de solucionarmos esses problemas. Não creio, muito honestamente, que as manifestações, tirando uma expressão de descontentamento que hoje está em muitas camadas da sociedade, não é por aí que resolvemos os nossos problemas”, defendeu o presidente da CIP.

Apontou, por outro lado, que os problemas do país são “muitos” e “complexos”, que exigem soluções consensuais e diálogo entre as partes, defendendo que é em sede de Concertação Social que se devem discutir pontos de vista e encontrar soluções.

“Se atendermos ao número de manifestações e de greves que já foram feitas, depois constatamos a realidade e não foi pelas greves ou pelas manifestações que se fizeram que a situação do país se alterou”, sublinhou, acrescentando que todos devem fazer parte da solução e afirmando-se adepto de um “diálogo construtivo”.

Nesse sentido, disse acreditar que as soluções pelo diálogo têm sido apenas ensaiadas e não foram esgotadas, alertando que o país atravessa “um tempo diferente”, em que a sociedade portuguesa se terá de habituar a “uma nova realidade”.

“Nós teremos 10, 15 anos pela frente em que teremos de modificar muitos hábitos de vida, (…) estamos no limiar de uma nova forma de cidadania. Há que procurar soluções para esta nova realidade e não acho que essa procura de soluções, o diálogo estruturado para encontrar as mesmas, se tenha esgotado”, defendeu António Saraiva.

Acrescentou que é pelo diálogo social que se terá de encontrar soluções porque o problema da sociedade é um problema de todos e não só dos agentes políticos, sindicais ou empresariais.

“Percebo o direito à indignação, mas o país na segunda-feira, quando regressarmos aos nossos trabalhos o país vai estar como estava na sexta-feira e, por isso, temos é de encontrar novas formas e enfrentar os novos desafios de uma forma estruturada”, rematou.

A CGTP marcou para hoje uma jornada nacional de luta contra a exploração e o empobrecimento, que inclui manifestações no Porto e em Lisboa.

Centenas de autocarros transportaram manifestantes do sul e centro do país, atravessando a ponte sobre o Tejo para integrar a concentração da CGTP em Alcântara, contra as políticas de austeridade. No Porto, o protesto faz-se com a travessia a pé da ponte do Infante.

No discurso, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou uma ação de protesto contra o Orçamento de Estado, a realizar no dia 01 de novembro junto da Assembleia da República, em Lisboa.

“No próximo dia 01 de novembro, dia feriado que nos foi roubado e que coincide coma primeira votação na generalidade do Orçamento de Estado, lá estaremos, de novo, na Assembleia da República, às 10:00 horas, para rejeitar a proposta de Orçamento, para exigir a demissão do Governo e a realização de eleições quanto antes”, disse Arménio Carlos aos manifestantes concentrados em Alcântara, em Lisboa.


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