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Diretor: Paulo Melo Domingo
23 de Novembro de 2014
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40 a 60 % dos alunos já fizeram plágio, uma epidemia que alastrou com a Internet

Quarenta a 60 por cento dos alunos já cometeram plágio, uma espécie de “epidemia” que se começa a registar cada vez mais precocemente e que alastrou com o aparecimento da Internet, foi hoje revelado.

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Num colóquio sobre a temática na Universidade Católica de Braga, os especialistas convidados sublinharam que o plágio é “um problema muito sério, fraturante e global”, que contribui para o baixo nível de desenvolvimento social, económico e político de um país.

Aurora Teixeira, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, alertou que os estabelecimentos de ensino que descuram a problemática do plágio acabam por formar “ativos tóxicos”.

“São pessoas que vão para o mundo do trabalho sem terem as qualificações necessárias para a sua futura vida profissional”, referiu, lembrando que depois acontecem casos como prédios que desabam pouco depois de terminada a sua construção.

Disse ainda que as próprias crises económicas podem ter origem em falta de preparação adequada de quem dirige os destinos de um país.

O colóquio hoje realizado na Universidade Católica de Braga inseriu-se no âmbito do projeto “Genius”, que durante dois anos analisou o fenómeno do plágio em sete países europeus.

“Os estudos referem que entre 40 a 60 por cento dos alunos já cometeram plágio”, disse Paulo Dias, coordenador nacional daquele projeto, sublinhando que aquela prática tende a começar cada vez mais cedo.

Para este responsável, o plágio é um fenómeno “muito prevalente”, que causa “muita preocupação” e que tem vindo a ganhar progressivamente novos adeptos, muito “por culpa” da Internet e da facilidade de acesso à informação que ela proporciona.

Paulo Dias defendeu que, mais do que detetar ou castigar, o importante é “promover junto dos alunos a mestria, a criatividade, o gosto de aprender, de saber e de fazer melhor”.

“Muitas vezes, o aluno apenas tem interesse em tirar uma boa nota, para passar, para conseguir aprovação, e isso é meio caminho andado para o plágio. Mas se lhe for incutido esse gosto pelo saber, certamente que ele substituirá o ‘copy paste’ pelo estudo, pela investigação a sério”, acrescentou.

Segundo Paulo Dias, há ainda um sentimento de impunidade que fomenta o plágio.

“Os alunos sentem que o plágio não é um risco muito elevado, porque na maioria dos casos ele nem sequer é detetado. Quando o é, o castigo fica, muitas vezes, por uma advertência ou pela diminuição pouco significativa da nota”, referiu.

Admitiu que uma das formas de dissuadir o plágio pode passar pela adoção de medidas já em vigor nos países anglo-saxónicos, em que o aluno pode ser expulso ou ver o curso anulado.

“Plagiar é roubar, plagiar é mentir, plagiar gera injustiça”, disse José Henrique Brito, da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica, deixando no ar a pergunta: “quantos incompetentes ocupam lugares para os quais não estão preparados?”.


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